No momento em que a cidade do Rio de Janeiro se prepara para receber um renovado Jardim Zoológico, com anunciadas inovações para conforto dos animais e visitantes, lembro da casa da minha avó materna em Vila Isabel, um sobradão com vários quartos colado ao antigo e então abandonado Jardim Zoológico, que se tornou uma extensão natural do quintal pois bastava pular o muro para desfrutar daquele paraíso secreto, com suas árvores frutíferas, lagos, fontes, pequenos animais e pássaros, muitos pássaros. Durante parte da Segunda Guerra Mundial nela nos apertamos com tios e primos temporariamente sem teto e sem fundos, numa fraterna e precária socialização de necessidades, antecipando o conceito atual de coletivo. A instituição criada pelo Barão de Drummond, raiz do jogo do bicho carioca, é pedra basilar na construção das minhas memórias afetivas infantis.
domingo, 25 de abril de 2021
A CASA DE MINHA AVÓ E O JARDIM ZOOLÓGICO
segunda-feira, 12 de abril de 2021
O CASTELINHO DO LEME (2)
O movimento de vacinação levou os holofotes da zona sul a se voltarem para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Leme, mas provavelmente poucos dos que a visitaram, muitos pela primeira vez, atentaram para a interessante construção ao lado conhecida como Castelinho do Leme. Sede administrativa de um estacionamento construído nos fundos do terreno, o imóvel tem o mesmo padrão arquitetônico do templo e ostenta uma torre que justifica o apelido, foi edificado por Margareth Coney Ligonto, a Miss Coney, adorada professora inglesa que em 1919 fundou o Colégio Anglo-Americano, e teria sido por ela doado à congregação cristã vizinha com cláusula impeditiva de sua descaracterização.
sexta-feira, 2 de abril de 2021
O JARDIM SECRETO
Na história de Frances Hodgson Burnett que gerou um filme, uma órfã de 10 anos vai viver com um tio viúvo em um castelo na Inglaterra. Lá encontra um pequeno lorde, seu primo recluso, doente e isolado em um dos quartos, conhece outro rapaz, filho de uma aldeã, e os três descobrem um incrível jardim abandonado, que decidem revitalizar. A amizade entre as crianças e a interação delas com a natureza operam uma surpreendente transformação no jardim e em todos da casa. O livro é lindo e o filme sublima sua mensagem, a de que um jardim, mesmo abandonado, tem o dom mágico de distribuir amor e alegria.
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Depois de alguns anos na árida Brasília, me instalei na frenética Copacabana de muito mar e areia e poucas plantas, o avesso de um passado que até então incluiu casas com jardim e quintal em bairros mais comportados. A muralha de concreto dos prédios colados da Avenida Atlântica, seccionada apenas pela Praça do Lido, separa o azul do mar do verde da pouca mata ainda restante nos fundos, mas não os interliga. O urbanista até foi sensível e salpicou algumas árvores aqui e ali no calçadão, tentando amenizar o deserto vertical, mas foi só. Com o advento da pandemia, ficou progressivamente mais angustiante para os confinados a carência do verde alternativo das plantas e das cores variadas das flores, e cansativo o neutro das areias, lindo de longe quando tingido pelo azul do mar, mas escaldante e extenuante de perto. O jardim de nossa história é uma metáfora sobre limites e superação, sobre carências e reclusão, e impacta de forma decisiva o destino dos personagens. Assim como o meu jardim secreto.
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terça-feira, 16 de março de 2021
MÁSCARA NEGRA
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
MUSEU DE CIÊNCIAS DA TERRA
Antônio de Paula Freitas, o criador do prédio, nasceu em 1843, filho de pai português e mãe brasileira, era o mais velho de oito irmãos e perdeu o pai aos 12 anos de idade. Apesar disso, graduou-se engenheiro Geógrafo e Civil e doutor em Ciências Físicas e Matemáticas pela antiga Escola Politécnica, onde foi também professor catedrático. Destacou-se em atividades profissionais e acadêmicas no reinado de D. Pedro II, tendo sido agraciado com as três comendas da Ordem da Rosa. Recebeu a prestigiada Medalha Hawshaw, honraria de origem inglesa atribuída a quem se destacasse por trabalhos acadêmicos na área da Engenharia. Foi presidente do Instituto Politécnico Brasileiro, membro do Conselho Diretor do Clube de Engenharia, do Instituto dos Engenheiros Civis de Londres, da Sociedade Francesa de Higiene, da Diretoria do Congresso Científico Latino-Americano, da Administração do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, redator da Revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro e Engenheiro da Irmandade da Igreja da Candelária, tendo sido responsável pelas obras de revitalização e expansão do templo e pela instalação dos seus monumentais portões de bronze. Como empresário presidiu a empresa que adquiriu as terras e promoveu a urbanização, saneamento e desenvolvimento do bairro de Copacabana. Projetou e construiu o Edifício Sede dos Correios, na rua Primeiro de Março, e o prédio da Tipografia Nacional, na Avenida Treze de Maio, demolido em 1940 para revitalização do Largo da Carioca.




